Perspectivas e considerações sobre etnografia e folclore.

09
Set 08

                                                                                                                                                                                                Segundo a classificação contida no estudo "Espigueiros Portugueses",1 os espigueiros existentes na nossa freguesia são do tipo - Oliveira de Azeméis e Sever do Vouga.

      Na linguagem local, raramente os habitantes os designam por espigueiros, mas sim  por canastros, talvez seja uma ancestral herança da anterior presença na nossa terra, dos verdadeiros canastros que eram feitos com varas na vertical e galhos flexíveis na horizontal, exactamente a técnica de cestaria. Ainda à poucas décadas os canastros resistiam ao desaparecimento, aqui perto de nós, no concelho de Arouca.

  Os primeiros espigueiros com o formato actual, terão sido implantados na freguesia talvez em meados de XVIII, e pois no séc. XIX já eram abundantes na nossa área geográfica, as datas inscritas em alguns deles provam-no.

     São compostos por quatro pilares (raramente seis) de granito, com uma considerável inclinação para o exterior nas quatro paredes, assentam numa base intermédia de granito, que por sua vez assenta no pegão feito de pedras revestidas a alvenaria (ou não). Em casos raros na freguesia os topos da base apresentam motivos ornamentais lavrados no granito, por vezes com a data de construção. Por norma possuem duas portas nas extremidades para colocar e tirar as espigas. As paredes e portas são feitas de madeira ripada, que em conjunto com a inclinação das quatro faces lhes confere o característico aspecto. O telhado é composto por quatro aguas, mas com o correr do tempo, sempre que era necessário remodelar o ripado do telhado esta passou a duas águas, solução mais simples. São cobertos por telha caleira, particularmente os de quatro águas e por telha tipo Marselha os de duas águas.

     Na nossa freguesia os Espigueiros estão sempre associados a uma eira e um palheiro, na eira malhava-se e secava-se o milho oriundo do espigueiro, no palheiro guardava-se as canas do milho e as capelas ou folhelhos como por aqui se diz, para no inverno servir de pasto aos animais.

     O espigueiro não é um imóvel, por vezes vendia-se toda uma propriedade mas o vendedor reservava-se ao direito de continuar a ser o seu detentor  bem como o direito de passagem para o mesmo. Veja-se o excerto de uma declaração de permuta2 em Telhadela, datada de 1946 «... entregamos o nosso prédio composto de casa, eira, palheiro e logradouro ( ... ),mais declaramos que ficamos com direito ao canastro até que dali seja retirado ou por nós ou por nossos herdeiros...»

    Note-se a expressão no texto: canastro.

    Por fim registe-se que em 2007 foi doado um canastro ao Rancho Folclórico de Ribeira de Fráguas, proveniente da Busturenga, foi desmontado e transportado para a sede do Rancho onde foi montado e totalmente restaurado a rigor, hoje é um dos ex-líbris do rancho na sua vertente de preservação do Património Etnográfico local.

 

  1 DIAS, Jorge, OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, GALHANO, Fernando, Espigueiros Portugueses.

  2 Arquivo Particular - Casa da Aldeia , Telhadela.

publicado por byelaeskura às 11:19

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